quarta-feira, 3 de abril de 2013

Aula 3ª - Quem é você? Identidade.


Quem é você? Como você pode realmente começar a definir quem é você e assim realmente conhecer-se a si mesmo. Primeiro, como você diferencia uma coisa de outra, como você diz isso é isso, e aquilo é aquilo? Isso se dá por contraste, por uma dialética entre os objetos. Você sabe o que é a cor vermelha, porque você sabe que ela não é azul, não é amarela, não é verde. Você sabe que Pedro é Pedro, porque ele não é João. Toda identidade parte de um contraste, de dizer o que algo é, por aquilo que não é. É a relação do eu com o outro. Dialética é a técnica de contrastar as coisas, as idéias, as definições. Onde você une o que é igual, e separa o que é diferente, e tira conclusões disso.

Qual a identidade de uma árvore? Primeiro para a árvore em si essa identidade não existe, porque ela não tem uma consciência, não tem uma capacidade crítica, órgãos que a faça questionar e contrastar os seus arredores. Porém, nós humanos, com nossa consciência, e com nossa habilidade de questionar podemos dar uma identidade a uma árvore. E a damos a partir das diferenças que temos com ela, e as diferenças que tem com outros objetos e seres ao seu redor. Ela não se move como nós, não tem os mesmos órgãos que nós temos, é vegetal em vez de animal, se alimenta do sol e não de outros seres vivos.

Quem é você então nisso? Qual a sua identidade? Sua identidade é composta das suas ações, composta das suas decisões e como lida com elas. Sua identidade só realmente passa a existir quando você toma total responsabilidade por suas ações. Na sociedade atual há uma constante produção de identidades artificiais, que levam as pessoas a confusão, pois elas ditam um número de ações pré-programadas que estão distantes das vidas reais das pessoas. Pensem uma marca de roupa famosa, um Hollister da vida, decide criar a identidade de quem é usuário da camisa. Estabelece que é uma pessoa legal e descontraída. Gasta na publicidade para ter comerciais com pessoas usando a camisa Hollister felizes e descontraídas. Paga emissoras de TV, para colocar nas suas novelas, as pessoas legais e descontraídas usando a camisa. Logo, quem assiste e quer ser legal e descontraído acaba comprando a idéia que uma camisa Hollister é isso, e não como a pessoa age, não suas ações.

Temos atualmente centenas de identidades artificiais na sociedade, seja determinada pelas coisas que você compra, por posições políticas, seja por orientação sexual, seja por cor de pele, seja por gosto musical ou de esportes, seja por onde você nasceu, ou quanto dinheiro tem no banco. E todas elas não passam de outras pessoas ditando como uma pessoa deve ser por alguma característica arbitrária que realmente não tem essa capacidade de ser uma identidade.   

Uma pessoa, um ser humano, só tem um fator que o determina como ele é sem ter a possibilidade de escolha. O fator que somos animais, mamíferos, parte da natureza, e nos comunicamos com nós mesmos e com o mundo ao redor com as ferramentas que evoluímos nos últimos milhões de anos. Nossa visão, nosso tato, nosso olfato, nosso paladar, nossa habilidade de reconhecer formas fora de nós mesmos, nossa habilidade de registrar memórias, e com elas formar distinções. Fora isso, todo o resto não passa de experiências pessoais, tanto de pressões externas, quanto de decisões que você toma ao longo da vida.

Há pessoas que decidem se unir a um partido político, e em vez de só concordar com o que a partir do seu julgamento crítico acredita ser certo, passa a seguir tudo que esse partido determina, sem nada questionar. Ah, eu acredito que devemos ser solidários uns com os outros, mas eles também dizem que devemos negar a nós mesmos para isso, não pensar primeiro nos meus interesses, logo também vou fazer isso, apesar de me importar comigo mesmo. Essa pessoa abandona a si mesma e se prende a uma identidade criada. Vamos ver o movimento negro que é muito popular nos EUA, e nos últimos anos começou a virar moda também em alguns grupos no Brasil. Cientificamente raça não existe. A cor que uma pessoa nasce não pode dizer absolutamente nada sobre ela. No máximo que seus ancestrais nasceram numa região com muita ou pouca exposição ao sol. Não dita comportamentos, não dita que você deva só usar como referência pessoas da mesma cor, ou que deva se importar com a origem das pessoas dessa sua mesma cor e imitá-las. Ou a questão de orientação sexual, que não passa de você gosta do sexo oposto, ou do mesmo sexo. Também não é algo que venha com uma cartilha. Ah, você é gay, logo deve se comportar meio afeminado e ver musicais. Pegue como exemplo um dos protagonistas gays da série Glee, não é um ser humano de verdade, mas uma caricatura preconceituosa. Ter uma característica, e se entregar a toda uma cartilha pré-fabricada de normas ditadas por outras pessoas para como alguém com essa característica deva agir, pode ser considerado uma forma de relaxamento de identidade. Você se mede não por seus desejos, mas como outros dizem que você deve ser.

O seu trabalho é parte da sua identidade? Aí depende, por que você o está fazendo? Porque você quer dinheiro e é isso que você achou, ou é por que é isso que quer fazer realmente com a sua vida? A decisão de fazer algo que não gosta por dinheiro, ou a decisão de só fazer aquilo que você realmente acredita ser você é o que é a identidade.

Seus sentimentos são sua identidade? Ah sou uma pessoa determinada, sou uma pessoa chata, sou uma pessoa doce, ... Sim, porque são decisões, e não características que nasceram com você. Você não é amigável porque você nasceu assim, mas porque em algum momento da sua vida você decidiu que isso era melhor que ser anti-social. Peguem o exemplo de um homem que bebia, batia na mulher, batia nos filhos, roubava, fazia de um inferno a sua vida e de todos ao redor e acabou seus dias na prisão. Ele teve dois filhos, um acabou igual ao pai, bebia, batia na família, roubava, acabou na prisão, o outro, foi para o lado oposto, montou um negócio, fez dinheiro, nunca bebeu uma gota sequer, tratava com todo o amor do mundo a mulher e os filhos, compôs uma vida feliz tanto para si, tanto para os outros ao seu redor. Quando perguntaram para ambos o por quê que achavam que tinha acabado daquela forma, ambos responderam a mesma coisa: Com um pai desse que tive não tinha como acabar de outra forma! Por que essa diferença de vida? Um pegou a experiência de um pai bêbado, ladrão e horrível e se disse: com tudo isso na minha vida, só posso acabar do mesmo jeito; o outro, por sua vez, se disse: depois de todo esse inferno que passei na minha vida, é claro que tenho de fazer diferente, criar todo um mundo de felicidade ao meu redor! Foi a decisão de cada um sobre como interpretar suas infâncias, que determinou seus destinos. Os seres humanos são feitos de decisões.

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