quarta-feira, 26 de junho de 2013

Trabalhos do 2ª Bimestre

Não há resposta certa, o que é avaliado é o seu empenho respondendo as perguntas.

Aula 6

1. Você tem um herói, uma figura real ou fictícia, que você usa de exemplo? Qual ou quais? Como você segue esse exemplo? Por quê? (Mínimo 5 linhas)

Aula 7


1. Crie um herói (homem, mulher, animal, ou até objeto) e conte sua história (descobertas, desafios, batalhas, retorno, ...), seguindo as etapas dadas na aula sobre a Jornada do Herói. (Mínimo 15 linhas)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Aula 7ª - A jornada do herói

A necessidade do ser humano de contar historinhas para si próprio afim de melhor entender a realidade ao seu redor, lidar com mistérios, ou passar através das gerações certos padrões de comportamento, é algo, como já apontado, encontrado em todas as épocas, em todas as culturas do mundo. Não só essa necessidade, mas como também a própria estrutura dessas historinhas, seu início, meio e fim, é algo instintivo do próprio ser humano. O psicólogo e antropólogo Joseph Campbell, em seu livro O Herói de Mil Faces, analisou como essa estrutura se organiza. Ele analisou como certos padrões, tramas e clímax das narrativas, se repetiam pela história humana, em culturas totalmente afastadas umas das outras, seja na Grécia antiga, seja numa tribo vivendo numa ilha no meio do pacífico. Ao todo são cerca de 18 etapas que essas histórias mitológicas, essas jornadas do herói atravessam, vamos estudar nessa aula, as 12 principais. Essas são etapas que vão estar presentes tanto em narrativas milenares, como também em filmes de sucesso de Hollywood.

A jornada do herói em si é dividida em três fases. A saída, em que o herói está no seu mundo normal, sua vida cotidiana e é forçado por um evento a sair dela. A iniciação, em que o herói entra num mundo especial de transformação, em que ganha novas habilidades ou conhecimentos e tem de testá-los. E por fim, o retorno, em que o herói volta ao seu mundo normal, como uma nova pessoa. Alguns exemplos usados serão do filme Homem de Ferro, Harry Potter, Homem-Aranha, A guerra de Tróia, a saga cristã de Jesus, e a estrutura de uma comédia romântica qualquer.

- Saída:
1. Status quo
            Estado normal das coisas, o cotidiano normal de uma pessoa, o que faz todo dia, sua rotina. Ex.: A vida de festas e bebida do Tony Stark, Harry Potter como um garoto normal em sua casa. As cidades gregas em paz. José e Maria na sua vida normal na Palestina. Um casal, supostamente feliz, juntos.

2. Chamada a aventura
            Um evento sem volta que quebra a rotina. Ex.: Tony Stark é seqüestrado por terroristas e acaba numa caverna no Afeganistão. Harry Potter recebe uma carta que o leva para uma escola mágica. Paris seqüestra Helena, fazendo os reis gregos se revoltarem contra Tróia. Maria, depois de receber a visita de um anjo, pari o filho de deus. Alguém quebra a relação.

3. Ajuda sobrenatural/Mentor
            O herói ainda não aceitando que sua rotina foi quebrada, recebe ajuda de algum mentor, ou passa por alguma situação, que o faz reconhecer que seu mundo mudou e não há mais volta. Ex.: Tony Stark na caverna, sem esperanças de sobreviver devido a um artefato de bomba em seu peito, é operado por outro cientista também seqüestrado, que coloca uma bateria de energia em seu peito. O tio do Homem-Aranha morre assassinado, porque ele não quis prender um ladrão quando teve a chance. Os deuses incentivam os gregos a se unirem e começarem uma guerra contra Tróia. Jesus recebe presentes dos três magos que o declaram especial, e mais tarde é batizado por João Batista. Um amigo diz para a pessoa abandonada que ela tem de esquecer a outra pessoa, e tem de seguir sua vida.  

4. Atravessa o limite de segurança
            Quando o herói faz algo, que oficialmente marca sua saído do mundo normal, para o mundo especial de transformação. Ex.: Tony Stark constrói sua armadura e vira o Homem de Ferro. O Homem-Aranha começa a combater o crime. Os gregos formam um exército e partem para Tróia. Jesus começa a perambular pela Palestina, pregando suas crenças. A pessoa abandonada, começa um novo trabalho, faz uma viagem.

Iniciação:
5. Desafios
            Nesse novo mundo especial de transformação, já com novas abilidades ou informações sobre a vida, o herói testa suas habilidades. Ex.: O Homem de Ferro enfrenta novos terroristas. Harry Potter testa suas capacidades mágicas. Os gregos ganham pequenas batalhas contra povos vassalos dos troianos. Jesus cura os doentes, transforma água em vinho. A pessoa abandonada começa uma bateria de exercícios físicos.

6. Encontra alma-gemea
            O herói encontra um par romântico que o ajudara na sua jornada, ou uma figura materna, que trará algum tipo de ternura para sua vida. Ex.: Tony Stark nota que tem sentimentos mais fortes do que imaginava por sua assistente. Homem-Aranha sai com Mary Jane. Jesus salva Maria Madalena. A pessoa abandonada da relação conhece uma nova pessoa com quem pode desenvolver algo sentimentalmente.

7. Recusa tentações
            O herói encontra um vilão (geralmente uma figura paterna), um antagonista aos seus objetivos, ou passa por uma situação especifica, e perde. Ex.: Tony Stark quando questiona as vendas de armas para terroristas perpetuadas por seu sócio (amigo do pai/pai adotivo), é enganado por esse, que apesar de ser responsável pelas vendas, diz que nada sabe. Tony Stark com a sua nova, melhorada, armadura, brinca de voar e atravessa a atmosfera da Terra. A armadura começa a congelar, dá erro, e desce em queda-livre pelo céu, quase matando ele. Homem-Aranha enfrenta o Duende Verde, o pai de seu melhor amigo, e perde. Jesus é tentado pelo demônio no deserto. O protagonista da comédia romântica tem de disputar a pessoa com quem está interessado com outra pessoa.

8. Entendimento do caminho
            O herói enfrenta um desafio que não só revela os limites do seu poder, mas também suas responsabilidades. Ex.: Tony Stark tem de salvar um avião do exército americano e quase morre por isso. Homem-Aranha usa seu corpo para impedir a queda de um trem e a morte de todos os seus passageiros. Jesus se revolta contra a comercialização da religião no templo. Protagonista da comédia romântica descobre que tem de se comunicar melhor com o parceiro para ter uma relação saudável.

9. Recompensa
            O herói aprende algo, ganha um tesouro que adiciona algo em sua vida. Ex.: Tony Stark entende que não pode simplesmente vender armas, que é responsável por tudo que é produzido por seu conhecimento intelectual. Gregos recebem ajuda de Zeus, o deus supremo, para vencer suas batalhas contra os troianos.

Retorno:

10. Atravessando o limite de retorno
            O problema é resolvido, ou destruído. O herói volta a lutar contra o vilão, ou passa por uma situação de grande desafio, e vence. Homem de Ferro e Homem-Aranha vencem seus respectivos vilões. Jesus morre, salvando a humanidade. Gregos, através da farsa do cavalo de madeira, invadem Tróia e matam todos. Protagonista da comédia romântica consegue ficar do lado da nova pessoa amada.

11. Mestre de dois mundos
            Retorno ao mundo comum. O mundo é igual, o herói é diferente. Com seus novos conhecimentos, o herói retorna a sua vida cotidiana com mais comando sobre ela, sobre suas ações. Ex.: Tony Stark decide que pode ser tanto um playboy, quanto um herói. Jesus ressuscita, sendo reconhecido como filho de deus, ou deus na terra. Protagonista da comédia romântica voltar a ter uma relação séria.

12. Liberdade

            O herói, não só agora tem mais comando sobre suas próprias ações, como também sobre o mundo ao seu redor. Ele dita as regras. Ex.: Tony Stark diz para uma conferencia de imprensa: eu sou o Homem de Ferro. Mostrando que não se importa com o que acham, ou com quaisquer conseqüências que isso possa levar. Jesus sobe aos céus.  

Aula 6ª - Tudo ao seu redor é um holograma e como parar de se preocupar e fazer amigos

Como já estabelecemos na aula anterior, o ser humano compreende o mundo e se comporta através de historinhas que melhor lhe permitem interpretar a realidade. Mas o que é essa sua impressão em si da realidade? Quando você olha ao seu redor o que você realmente vê, ou melhor como você está realmente vendo? Os olhos humanos não vêem imagens, não há imagens ao nosso redor, o que há é luz, partículas, fótons, que batem nas superfícies, têm parte de sua energia absorvidas por elas, e parte refletida, e é esse refletido, essas partículas que chegam em nossos olhos, que temos de informação sobre parte dos nossos arredores. Isso não é imagem, imagem é o que o cérebro faz com isso, como pega essa informação e determina distancias para criar uma perspectiva, como determina cores para diferenciar as variações de energia dos fótons, como interpreta formas. Na verdade, fora do cérebro humano, não há som, não há calor, ou frio, não há cheiro, não há tato. Tudo não passam de vibrações, freqüências no espaço, e quem dá a elas características específicas é o nosso cérebro. Se experienciamos tudo de uma forma parecida é porque dividimos o mesmo cérebro mamífero, que evoluiu essas habilidades. Logo, tudo que temos ao nosso redor, que vemos, escutamos, sentimos, não passa de um holograma dentro do nosso cérebro, não é o real.

Mas como também já foi visto em aulas passadas, não são só essas ferramentas evolutivas que nos permitem construir esse mundo holográfico na nossa mente, mas também nossas interpretações derivadas de nossas experiências pessoais. É o caso da cadeira, que você só vê como cadeira, porque alguém algum dia criou a idéia de cadeira. Porém, podemos ir além. Há uma teoria que quando os europeus chegaram aqui em suas caravelas, algumas tribos de índios não os podiam ver, não podiam ver as caravelas chegando no mar, pois não tinham nenhuma forma de interpretá-las, não tinham nenhuma historinha que as desse sentido. Esquizofrênicos, por exemplo, nada mais são que pessoas que tem a capacidade, sob controle, ou não, de editar o conteúdo dos seus hologramas pessoais. Alguém já viu o filme Uma Mente Brilhante? É a história real de um matemático paranóico e esquizofrênico, que ao se sentir perseguido por suas idéias, começa a ver agentes do FBI por todos os lados o seguindo; e ao se sentir sozinho em seu apartamento, cria um colega de quarto e uma sobrinha, que lhe dão atenção nos seus momentos de solidão. Ele mesmo não tem o controle sobre essas aparições, como também por grande parte da sua vida, nem sabe que elas são só sua criação. Porém, elas lhe são tão reais, quanto uma pessoa vista por outra, pois tanto ilusão, quanto a realidade não passam dessas imagens criadas nesse holograma nos nossos cérebros.  

A filosofia é um ato de autoconhecimento, e para uma pessoa se auto-conhecer ela precisa conhecer os outros ao seu redor, pois sendo humanos dividimos muitas coisas. Cada humano, porém cria o seu próprio mundo de interpretações dentro de sua cabeça. Uma pessoa com problemas de anorexia pode estar um esqueleto, mas no seu holograma mental, ao se ver no espelho, só vê uma pessoa gorda. Uma pessoa rabugenta, sempre antipática com os outros, no meio de pessoas amigáveis e afetuosas para com ela, não as vê dessa forma, mas as vê como falsas ou manipulativas, ou quem sabe vê as próprias expressões de afeto como antipatia. A questão é que ninguém é o vilão de sua própria história. Todos nas suas historinhas que se contam, são seus heróis, suas vidas são sua jornada de herói, e quem vai em oposição a isso é o vilão. Podemos ter um Hitler, que com a sua determinação e carisma, moveu um povo inteiro a participar no genocídio de parte desse mesmo povo. Tanto Hitler, como os alemãs que participaram no genocídio, de outros alemãs e poloneses, por questões sejam religiosas, políticas ou de gosto sexual, se viam como os heróis, os heróis exterminando os vilões. Em suas historinhas pessoais, eles estavam certos, e todo o resto, errado. O próprio Hitler ao se suicidar no fim da 2ª Guerra Mundial, não o fez por vergonha, ou por temer ser julgado pelo que fez, mas sim por orgulho, de se sentir o herói, e ver no povo alemão que perdeu a guerra ao seu redor, como fracassados que não souberam lutar pelo seu sonho, se matou pelo orgulho de não se entregar a pessoas que considerava inferiores. 

Um assassino, um estuprador, pode conhecer as regras, leis, da sociedade, pode saber que será chamado de criminoso e será punido, mas se ele faz o que faz, não é por se sentir como tal. Para ele a sociedade pode considerá-lo assim, mas é esta sociedade que é o vilão, e ele o herói só fazendo o que lhe é de direito. Ele tem toda uma historinha que justifica suas ações. O mesmo vale para casos menores, imagine que você tem um desentendimento com alguém por alguma questão. Você tem raiva da outra pessoa, porque sente que ela lhe fez um mal. Mas essa pessoa lhe fez um mal, sabendo que lhe estava fazendo um mal? Ou ela fez isso, acreditando que estava certa, e que era você que estava errada? De novo, os seres humanos são sempre os heróis de suas próprias histórias, os contra eles, que são os vilões. Pense que talvez, você mesmo possa estar errado, estar tendo uma compreensão incompleta de alguma situação, e tomando uma posição que por um analise geral, está mesmo errada e prejudicando outro. O problema é que ideias são como hábitos do cérebro, se ele está acostumado com elas, tende a defendê-las não importa o quanto convincentes sejam os argumentos contra elas. Não importa se apresentando provas indiscutíveis, o cérebro reestrutura a informação para defender aquilo ao que está acostumado.

A habilidade humana de absorver várias histórias, tanto reais, quanto fictícias, de experiências de outras pessoas, essa busca pelo conhecimento, é uma das ferramentas, que permitem uma melhor comunicação entre os seres humanos. Pois uma pessoa com uma vasta gama de experiências, pode, numa situação de conflito, se distanciar de si mesma, olhar para si, e para a outra pessoa, e lembrar que tanto ela, quanto o outro, se acham certos por algumas razões específicas. É o chamado olho observador, distanciado da pessoa que o tem. Com essa técnica a pessoa pode ver a discussão por ambos os lados, e comparando ela com situações similares de suas experiências passadas, das historinhas que escutou, julgar tudo sem a interferência das emoções do momento. Lembrar de como o cérebro funciona com aquilo que acredita, e assim se distanciar de antagonismo, da necessidade de ir diretamente contra o que acredita ser errado, e sim, tentar ver o que há de igual entre as ideias de cada indivíduo, o que une as posições de cada um, e não as afasta. Assim, chegando ao verdadeiro sentido da comunicação, um entendimento, uma troca de informação.