quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Trabalhos do 4ª Bimestre

1. Pesquisar um anúncio publicitário (comercial de tv, ou revista), apontando os três modos de persuasão: ethos, pathos e logos. Trabalho escrito, com imagens representando cada modo, comentadas, explicando o que é o modo de persuasão, e o porquê da imagem o estar representando. (Individual, ou em grupos de até 5 pessoas, 10 pontos para quem entregou na data, 5 para quem entregar dia 12.)

2. Fale sobre "responsabilidade individual" a partir das ideias apresentadas em aula de Hobbes, Locke, Mostesquieu e Rand, contrastando com as ideias de Rosseau e Marx. Use no desenvolvimento do trabalho os três modos de persuasão. (Individual, ou em grupos de até 5 pessoas, 10 pontos, entrega dia 12. Mínimo 20 linhas.)


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Trabalhos do 2ª Bimestre

Não há resposta certa, o que é avaliado é o seu empenho respondendo as perguntas.

Aula 6

1. Você tem um herói, uma figura real ou fictícia, que você usa de exemplo? Qual ou quais? Como você segue esse exemplo? Por quê? (Mínimo 5 linhas)

Aula 7


1. Crie um herói (homem, mulher, animal, ou até objeto) e conte sua história (descobertas, desafios, batalhas, retorno, ...), seguindo as etapas dadas na aula sobre a Jornada do Herói. (Mínimo 15 linhas)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Aula 7ª - A jornada do herói

A necessidade do ser humano de contar historinhas para si próprio afim de melhor entender a realidade ao seu redor, lidar com mistérios, ou passar através das gerações certos padrões de comportamento, é algo, como já apontado, encontrado em todas as épocas, em todas as culturas do mundo. Não só essa necessidade, mas como também a própria estrutura dessas historinhas, seu início, meio e fim, é algo instintivo do próprio ser humano. O psicólogo e antropólogo Joseph Campbell, em seu livro O Herói de Mil Faces, analisou como essa estrutura se organiza. Ele analisou como certos padrões, tramas e clímax das narrativas, se repetiam pela história humana, em culturas totalmente afastadas umas das outras, seja na Grécia antiga, seja numa tribo vivendo numa ilha no meio do pacífico. Ao todo são cerca de 18 etapas que essas histórias mitológicas, essas jornadas do herói atravessam, vamos estudar nessa aula, as 12 principais. Essas são etapas que vão estar presentes tanto em narrativas milenares, como também em filmes de sucesso de Hollywood.

A jornada do herói em si é dividida em três fases. A saída, em que o herói está no seu mundo normal, sua vida cotidiana e é forçado por um evento a sair dela. A iniciação, em que o herói entra num mundo especial de transformação, em que ganha novas habilidades ou conhecimentos e tem de testá-los. E por fim, o retorno, em que o herói volta ao seu mundo normal, como uma nova pessoa. Alguns exemplos usados serão do filme Homem de Ferro, Harry Potter, Homem-Aranha, A guerra de Tróia, a saga cristã de Jesus, e a estrutura de uma comédia romântica qualquer.

- Saída:
1. Status quo
            Estado normal das coisas, o cotidiano normal de uma pessoa, o que faz todo dia, sua rotina. Ex.: A vida de festas e bebida do Tony Stark, Harry Potter como um garoto normal em sua casa. As cidades gregas em paz. José e Maria na sua vida normal na Palestina. Um casal, supostamente feliz, juntos.

2. Chamada a aventura
            Um evento sem volta que quebra a rotina. Ex.: Tony Stark é seqüestrado por terroristas e acaba numa caverna no Afeganistão. Harry Potter recebe uma carta que o leva para uma escola mágica. Paris seqüestra Helena, fazendo os reis gregos se revoltarem contra Tróia. Maria, depois de receber a visita de um anjo, pari o filho de deus. Alguém quebra a relação.

3. Ajuda sobrenatural/Mentor
            O herói ainda não aceitando que sua rotina foi quebrada, recebe ajuda de algum mentor, ou passa por alguma situação, que o faz reconhecer que seu mundo mudou e não há mais volta. Ex.: Tony Stark na caverna, sem esperanças de sobreviver devido a um artefato de bomba em seu peito, é operado por outro cientista também seqüestrado, que coloca uma bateria de energia em seu peito. O tio do Homem-Aranha morre assassinado, porque ele não quis prender um ladrão quando teve a chance. Os deuses incentivam os gregos a se unirem e começarem uma guerra contra Tróia. Jesus recebe presentes dos três magos que o declaram especial, e mais tarde é batizado por João Batista. Um amigo diz para a pessoa abandonada que ela tem de esquecer a outra pessoa, e tem de seguir sua vida.  

4. Atravessa o limite de segurança
            Quando o herói faz algo, que oficialmente marca sua saído do mundo normal, para o mundo especial de transformação. Ex.: Tony Stark constrói sua armadura e vira o Homem de Ferro. O Homem-Aranha começa a combater o crime. Os gregos formam um exército e partem para Tróia. Jesus começa a perambular pela Palestina, pregando suas crenças. A pessoa abandonada, começa um novo trabalho, faz uma viagem.

Iniciação:
5. Desafios
            Nesse novo mundo especial de transformação, já com novas abilidades ou informações sobre a vida, o herói testa suas habilidades. Ex.: O Homem de Ferro enfrenta novos terroristas. Harry Potter testa suas capacidades mágicas. Os gregos ganham pequenas batalhas contra povos vassalos dos troianos. Jesus cura os doentes, transforma água em vinho. A pessoa abandonada começa uma bateria de exercícios físicos.

6. Encontra alma-gemea
            O herói encontra um par romântico que o ajudara na sua jornada, ou uma figura materna, que trará algum tipo de ternura para sua vida. Ex.: Tony Stark nota que tem sentimentos mais fortes do que imaginava por sua assistente. Homem-Aranha sai com Mary Jane. Jesus salva Maria Madalena. A pessoa abandonada da relação conhece uma nova pessoa com quem pode desenvolver algo sentimentalmente.

7. Recusa tentações
            O herói encontra um vilão (geralmente uma figura paterna), um antagonista aos seus objetivos, ou passa por uma situação especifica, e perde. Ex.: Tony Stark quando questiona as vendas de armas para terroristas perpetuadas por seu sócio (amigo do pai/pai adotivo), é enganado por esse, que apesar de ser responsável pelas vendas, diz que nada sabe. Tony Stark com a sua nova, melhorada, armadura, brinca de voar e atravessa a atmosfera da Terra. A armadura começa a congelar, dá erro, e desce em queda-livre pelo céu, quase matando ele. Homem-Aranha enfrenta o Duende Verde, o pai de seu melhor amigo, e perde. Jesus é tentado pelo demônio no deserto. O protagonista da comédia romântica tem de disputar a pessoa com quem está interessado com outra pessoa.

8. Entendimento do caminho
            O herói enfrenta um desafio que não só revela os limites do seu poder, mas também suas responsabilidades. Ex.: Tony Stark tem de salvar um avião do exército americano e quase morre por isso. Homem-Aranha usa seu corpo para impedir a queda de um trem e a morte de todos os seus passageiros. Jesus se revolta contra a comercialização da religião no templo. Protagonista da comédia romântica descobre que tem de se comunicar melhor com o parceiro para ter uma relação saudável.

9. Recompensa
            O herói aprende algo, ganha um tesouro que adiciona algo em sua vida. Ex.: Tony Stark entende que não pode simplesmente vender armas, que é responsável por tudo que é produzido por seu conhecimento intelectual. Gregos recebem ajuda de Zeus, o deus supremo, para vencer suas batalhas contra os troianos.

Retorno:

10. Atravessando o limite de retorno
            O problema é resolvido, ou destruído. O herói volta a lutar contra o vilão, ou passa por uma situação de grande desafio, e vence. Homem de Ferro e Homem-Aranha vencem seus respectivos vilões. Jesus morre, salvando a humanidade. Gregos, através da farsa do cavalo de madeira, invadem Tróia e matam todos. Protagonista da comédia romântica consegue ficar do lado da nova pessoa amada.

11. Mestre de dois mundos
            Retorno ao mundo comum. O mundo é igual, o herói é diferente. Com seus novos conhecimentos, o herói retorna a sua vida cotidiana com mais comando sobre ela, sobre suas ações. Ex.: Tony Stark decide que pode ser tanto um playboy, quanto um herói. Jesus ressuscita, sendo reconhecido como filho de deus, ou deus na terra. Protagonista da comédia romântica voltar a ter uma relação séria.

12. Liberdade

            O herói, não só agora tem mais comando sobre suas próprias ações, como também sobre o mundo ao seu redor. Ele dita as regras. Ex.: Tony Stark diz para uma conferencia de imprensa: eu sou o Homem de Ferro. Mostrando que não se importa com o que acham, ou com quaisquer conseqüências que isso possa levar. Jesus sobe aos céus.  

Aula 6ª - Tudo ao seu redor é um holograma e como parar de se preocupar e fazer amigos

Como já estabelecemos na aula anterior, o ser humano compreende o mundo e se comporta através de historinhas que melhor lhe permitem interpretar a realidade. Mas o que é essa sua impressão em si da realidade? Quando você olha ao seu redor o que você realmente vê, ou melhor como você está realmente vendo? Os olhos humanos não vêem imagens, não há imagens ao nosso redor, o que há é luz, partículas, fótons, que batem nas superfícies, têm parte de sua energia absorvidas por elas, e parte refletida, e é esse refletido, essas partículas que chegam em nossos olhos, que temos de informação sobre parte dos nossos arredores. Isso não é imagem, imagem é o que o cérebro faz com isso, como pega essa informação e determina distancias para criar uma perspectiva, como determina cores para diferenciar as variações de energia dos fótons, como interpreta formas. Na verdade, fora do cérebro humano, não há som, não há calor, ou frio, não há cheiro, não há tato. Tudo não passam de vibrações, freqüências no espaço, e quem dá a elas características específicas é o nosso cérebro. Se experienciamos tudo de uma forma parecida é porque dividimos o mesmo cérebro mamífero, que evoluiu essas habilidades. Logo, tudo que temos ao nosso redor, que vemos, escutamos, sentimos, não passa de um holograma dentro do nosso cérebro, não é o real.

Mas como também já foi visto em aulas passadas, não são só essas ferramentas evolutivas que nos permitem construir esse mundo holográfico na nossa mente, mas também nossas interpretações derivadas de nossas experiências pessoais. É o caso da cadeira, que você só vê como cadeira, porque alguém algum dia criou a idéia de cadeira. Porém, podemos ir além. Há uma teoria que quando os europeus chegaram aqui em suas caravelas, algumas tribos de índios não os podiam ver, não podiam ver as caravelas chegando no mar, pois não tinham nenhuma forma de interpretá-las, não tinham nenhuma historinha que as desse sentido. Esquizofrênicos, por exemplo, nada mais são que pessoas que tem a capacidade, sob controle, ou não, de editar o conteúdo dos seus hologramas pessoais. Alguém já viu o filme Uma Mente Brilhante? É a história real de um matemático paranóico e esquizofrênico, que ao se sentir perseguido por suas idéias, começa a ver agentes do FBI por todos os lados o seguindo; e ao se sentir sozinho em seu apartamento, cria um colega de quarto e uma sobrinha, que lhe dão atenção nos seus momentos de solidão. Ele mesmo não tem o controle sobre essas aparições, como também por grande parte da sua vida, nem sabe que elas são só sua criação. Porém, elas lhe são tão reais, quanto uma pessoa vista por outra, pois tanto ilusão, quanto a realidade não passam dessas imagens criadas nesse holograma nos nossos cérebros.  

A filosofia é um ato de autoconhecimento, e para uma pessoa se auto-conhecer ela precisa conhecer os outros ao seu redor, pois sendo humanos dividimos muitas coisas. Cada humano, porém cria o seu próprio mundo de interpretações dentro de sua cabeça. Uma pessoa com problemas de anorexia pode estar um esqueleto, mas no seu holograma mental, ao se ver no espelho, só vê uma pessoa gorda. Uma pessoa rabugenta, sempre antipática com os outros, no meio de pessoas amigáveis e afetuosas para com ela, não as vê dessa forma, mas as vê como falsas ou manipulativas, ou quem sabe vê as próprias expressões de afeto como antipatia. A questão é que ninguém é o vilão de sua própria história. Todos nas suas historinhas que se contam, são seus heróis, suas vidas são sua jornada de herói, e quem vai em oposição a isso é o vilão. Podemos ter um Hitler, que com a sua determinação e carisma, moveu um povo inteiro a participar no genocídio de parte desse mesmo povo. Tanto Hitler, como os alemãs que participaram no genocídio, de outros alemãs e poloneses, por questões sejam religiosas, políticas ou de gosto sexual, se viam como os heróis, os heróis exterminando os vilões. Em suas historinhas pessoais, eles estavam certos, e todo o resto, errado. O próprio Hitler ao se suicidar no fim da 2ª Guerra Mundial, não o fez por vergonha, ou por temer ser julgado pelo que fez, mas sim por orgulho, de se sentir o herói, e ver no povo alemão que perdeu a guerra ao seu redor, como fracassados que não souberam lutar pelo seu sonho, se matou pelo orgulho de não se entregar a pessoas que considerava inferiores. 

Um assassino, um estuprador, pode conhecer as regras, leis, da sociedade, pode saber que será chamado de criminoso e será punido, mas se ele faz o que faz, não é por se sentir como tal. Para ele a sociedade pode considerá-lo assim, mas é esta sociedade que é o vilão, e ele o herói só fazendo o que lhe é de direito. Ele tem toda uma historinha que justifica suas ações. O mesmo vale para casos menores, imagine que você tem um desentendimento com alguém por alguma questão. Você tem raiva da outra pessoa, porque sente que ela lhe fez um mal. Mas essa pessoa lhe fez um mal, sabendo que lhe estava fazendo um mal? Ou ela fez isso, acreditando que estava certa, e que era você que estava errada? De novo, os seres humanos são sempre os heróis de suas próprias histórias, os contra eles, que são os vilões. Pense que talvez, você mesmo possa estar errado, estar tendo uma compreensão incompleta de alguma situação, e tomando uma posição que por um analise geral, está mesmo errada e prejudicando outro. O problema é que ideias são como hábitos do cérebro, se ele está acostumado com elas, tende a defendê-las não importa o quanto convincentes sejam os argumentos contra elas. Não importa se apresentando provas indiscutíveis, o cérebro reestrutura a informação para defender aquilo ao que está acostumado.

A habilidade humana de absorver várias histórias, tanto reais, quanto fictícias, de experiências de outras pessoas, essa busca pelo conhecimento, é uma das ferramentas, que permitem uma melhor comunicação entre os seres humanos. Pois uma pessoa com uma vasta gama de experiências, pode, numa situação de conflito, se distanciar de si mesma, olhar para si, e para a outra pessoa, e lembrar que tanto ela, quanto o outro, se acham certos por algumas razões específicas. É o chamado olho observador, distanciado da pessoa que o tem. Com essa técnica a pessoa pode ver a discussão por ambos os lados, e comparando ela com situações similares de suas experiências passadas, das historinhas que escutou, julgar tudo sem a interferência das emoções do momento. Lembrar de como o cérebro funciona com aquilo que acredita, e assim se distanciar de antagonismo, da necessidade de ir diretamente contra o que acredita ser errado, e sim, tentar ver o que há de igual entre as ideias de cada indivíduo, o que une as posições de cada um, e não as afasta. Assim, chegando ao verdadeiro sentido da comunicação, um entendimento, uma troca de informação.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Aula 5ª - Mitologia

Você gosta de ver filmes, novelas, séries de TV, ou quem sabe ler livros, quadrinhos, ou mesmo sentar com um amigo, e escutar uma história de algo que aconteceu com ele? Você tem prazer nisso? Escutar uma narrativa, com início, meio e fim, com algum personagem ou pessoa real, passando por alguma dificuldade, ou conflito, tentando descobrir como solucioná-lo, isso dá prazer a qualquer ser humano não importa a forma que essa história lhe chegue. E isso não de agora que temos tantas histórias com heróis sendo produzidas para todos os lados, mas desde a pré-história. A necessidade de escutar histórias é na verdade algo instintivo do próprio ser humano, uma ferramenta que evoluiu conosco para aprendermos coisas com mais facilidade. Todo povo precisa de uma mitologia que o guie. Toda pessoa precisa de uma historinha própria que dê significado a sua vida e resolva os mistérios ao ser redor.

Voltemos à pré-história em que a humanidade se resumia a pequenas tribos esparsas pelo mundo de caçadores e coletores. Qual era o grande evento para esse povo? Geralmente era a caça de uma grande animal, um mamute por exemplo. Quando não estavam caçando, as pessoas se reuniam toda semana ao redor de uma fogueira e os mais velhos, os com mais experiências, narravam os atos heróicos e corajosos de grandes caçadores. Pensem que num mundo sem TV, sem livros, esse era o grande entretenimento da semana. Os jovens sem experiência de caça sentavam e escutavam aquelas narrações com todo o entusiasmo possível, se imaginando no futuro grandes caçadores também. Seus heróis eram esses caçadores. O caçador corria pelas planícies atrás de grandes e temíveis animais, escalava em árvores para pular nas costas de mamutes, ou outros animais mais perigosos, tentava acertá-los na cabeça com um machado, quem sabe só para cair no chão, deslizar para um penhasco, porém sobreviver a essa adversidade, e assim se jogar por baixo do animal e com uma lança perfurar seu estômago. Voltando para a tribo carregando a carcaça vitorioso, sendo tratado como um salvador, recebendo a atenção de todos, fora vários privilégios. As pessoas escutavam isso e se imaginavam fazendo o mesmo. Às vezes, nem imaginar era necessário, pois podiam ver, como num cinema, o fogo de uma tocha passar rapidamente pelos desenhos em uma caverna representando a aventura. Claro que a realidade era bem diferente, de uns 15 que saiam para uma expedição de caça, um ou dois poderiam ser os heróis, o resto só no máximo ajudava a carregar a carcaça do animal morto, fora os que morreriam pelo caminho, quem sabe de coisas banais, como tropeçando numa pedra. Porém, com aquela narração da caça, do herói, o risco não importava, porque todos saiam acreditando que eles próprios seriam os heróis. Era a historinha contada ao redor da fogueira que os motivava, real ou não.

Agora, vamos avançar mais um pouco, vamos desenvolver a civilização, vamos para a Grécia antiga. Os gregos não tinham a história da caça ao mamute, eles tinham no lugar a guerra de Tróia. A guerra de tróia é uma saga heróica que conta como um príncipe de Tróia, uma cidade rica da Ásia, numa viagem de férias pelas cidades gregas, acaba em Esparta, uma das mais ricas também, e na ausência do rei, se apaixona pela rainha, Helena, e ela também por ele. Enfim, ele “seqüestra” ela de volta para Tróia. O rei de Esparta retorna, vê que sua mulher foi levada, sua honra quebrada, e assim, junta os outros reis das cidades gregas para ir pegar ela de volta em Tróia, começando uma guerra entre os dois povos. Todos, é claro, também com o objetivo de no caminho fazerem muito dinheiro saqueando as cidades do inimigo e seus aliados. A guerra dura 10 anos, e é marcada não só pelo destaque das ações de vários reis heróis, como Aquiles, Ulisses e Agamenon, como também pela interferência dos deuses sobre os humanos, como Zeus, Hera, Atenas, Apolo, Ares, Afrodite. Que muito como num jogo de vídeo-game, aparecem e dão poderes especiais aos heróis, ou os convencem a tomar certas ações que não tomariam. A guerra termina com um clássico estratagema. Já com as forças dos troianos e seus aliados totalmente destroçadas, os gregos se vêem com um único problema, a própria cidade de Tróia. Imensa e cercada de uma gigantesca muralha, não há forma deles entrarem. Fora que esperar ao seu redor os troianos desistirem também é custoso, já que há um vasto exército para manter, alimentar. Logo, eles declaram a paz, e dão de presente um imenso cavalo de madeira para os troianos. Deixam ele nas portas da cidade e vão embora. Os troianos abrem os portões, pegam o cavalo, trazem ele para dentro, fecham, e começam uma festa de fim de guerra. Passa o dia de festa, chega à noite com todos bêbados ou dormindo, se revelam dentro do cavalo, heróis gregos. Eles saem do cavalo e sorrateiramente abrem os portões para os outros soldados gregos lá fora escondidos. O exército grego invade Tróia e massacra todo mundo, saindo vitorioso. E essa é a historinha dos gregos! O que isso quer dizer? Que de uma criança de 3 anos, a um velho de 70, de um homem pobre, a um homem rico, todos conhecem a história da guerra de Tróia detalhadamente. Quase todos os dias um grego pode encontrar em alguma esquina, algum velho poeta narrando sobre a guerra, sobre o feito de algum de seus heróis. Narrando e narrando de diferentes formas, mas sempre com os mesmos personagens e situações. Um grego no seu cotidiano quando se encontra com algum problema, para e pensa: o que Aquiles faria nessa situação? Ou quem sabe, como a deusa Atenas me aconselharia nesse negócio? Como essa é sua historinha, a referência dos gregos para tudo sempre é a dos heróis e deuses da guerra de Tróia.


Avançamos mais um pouco, da Europa Medieval ao Brasil de uns 100 anos atrás, quem é nesse tempo o velho ao redor da fogueira, ou o poeta recitando sobre a guerra na esquina de uma cidade? Qual o grande evento a ser narrado? Temos nessa época e região, o cristianismo como historinha dominante. Agora, quem cativa as pessoas contando histórias é o padre todo domingo, falando de Noé, Moisés, Jesus. O novo caçador, o novo Aquiles, é Jesus. Sua história com início, meio e fim, são suas ações, são as decisões que toma a partir dos conflitos que enfrenta,o exemplo a ser seguido. Jesus, Virgem Maria, e outros personagens da mitologia cristã, viram os pontos de referência para o povo no seu dia a dia. É um o que Jesus faria nessa situação?

Presente, você liga a Tv e vê um filme, ou um desenho, ou uma novela. Quem já não viu um episódio de Simpsons, ou melhor, quem já não viu o mesmo episódio de Simpsons pelo menos umas 5 vezes? Homer Simpsons virou o novo caçador de mamute, o novo Aquiles, o novo Jesus. Uma pessoa pode se pegar agora vendo um exemplo dele em um dos mais de 300 episódios do desenho para guiar a sua vida, tanto no que fazer, quanto no que não fazer. O Homer, ou quem sabe o Homem de Ferro, ou um jogador de futebol, ou um ator, ou o Harry Potter, são os novos heróis. Hoje em dia, as pessoas não tem mais uma só referência de mitologia, toda a mídia em massa é o mito. Do Bob Esponja a protagonista da novela das 20h. Do Rick da série Walking Dead, ao Rafinha Bastos fazendo piada em algum programa humorístico. Isso, por que essa necessidade humana de buscar comportamentos, experiências em histórias exteriores é continua.  

São essas historinhas que guiam a vida das pessoas, como elas compreendem seu dia a dia. Voltando a pré-história, pensem numa pessoa de uma tribo isolada que nunca viu o oceano. Essa pessoa não tem o velho ancião contando histórias sobre o oceano, não sabe nada disso. Um dia essa pessoa chega numa praia e se depara com um gigantesco infinito azul, correndo para todos os lados, se debatendo violentamente e jogando água para a praia. Ela se assusta, teme aquilo, vê uma força muito maior que ela, que não pode compreender. Nasce um deus. A palavra oceano na verdade é o nome de um deus, que é o Oceano. Pois não podendo compreender o que é aquela força, as pessoas se contam uma historia a partir do que conhecem para poder entender o mistério. O Oceano é um deus para os gregos anteriores a Sócrates, as tempestades, os raios, essa outra força poderosa, são outro deus para um outro povo, o nórdico, são produto de Thor, o deus do trovão, causando raios quando bate seu martelo nos céus. Thor, que sobrevive até hoje em quadrinhos e filmes da Marvel, até uns mil anos atrás, ainda era respeitado como uma força presente, tanto da natureza, quanto da guerra. Um nórdico, um viking, antes de ir batalhar contra um outro povo, beijava um pedante no formato de um machado que carregava ao redor do pescoço. Do mesmo jeito que depois faria um cristão com a cruz. Hoje vemos a raiva como uma reação psicológica de uma pessoa a certa situação. Na narrativa de Tróia, a raiva era uma visita do deus Ares, deus da guerra, que manipulando os humores do homem, o enfurecia para guerra. Os próprios sentimentos não sendo totalmente compreendidos pelo homem ganhavam assim suas historinhas divinas. 

Pense agora no presente, pegue no seu bolso o seu celular, você sabe como ele funciona? Como a sua voz atravessa quilômetros para chegar em outro lugar em questão de segundos, como você pode capturar a imagem de alguém na tela dele, ou jogar um vídeo-game apertando seus botões, ou tela touch-screem? Não, a maioria das pessoas não conhece as ondas eletromagnéticas que permitem a informação de sua voz ser transmitida, não conhecem o código binário dos transistores feitos de silício com filamentos de ouro, que permitem os programas que simplificam tudo em sua mão ao toque de alguns botões. Para a maioria das pessoas tudo se resume a uma tecnologia, o que quer que seja isso, feita por algum sujeito mais inteligente, um cientista, quem quer que seja ele, que permite ela ter todas essas capacidades ordinárias: falar a distância, tirar fotos, escutar música, jogar, sem se preocupar com mais nada. A tecnologia é a nova historinha, é o novo mito. 10 mil anos atrás, um celular seria visto como um tijolo divino dos Deuses, dando poderes sobrenaturais aos homens. Essa era a historinha de então, hoje em dia, os padrões mudaram, e tudo se resume a tecnologia que um cientista fez. A pessoa ainda desconhece o que tem na mão, só a narrativa mudou. E se ela não tivesse essa historia, o celular seria mais uma vez um objeto estranho, extraordinário, assustador. 

“O ser humano só luta por coisas imaginárias.” frase de Neil Gaiman em seu livro Deuses Americanos. Ou seja, a realidade nunca basta as pessoas para nada, para ela fazer algo, se motivar, enfrentar desafios, ou entender os seus próprios arredores, ela precisa se contar alguma historinha imaginária, que vai dar aquilo que era banal e sistemático na realidade, um fundo muito mais emocionante, cativante. 

Um último exemplo, quem nunca experienciou, ou viu num filme, um casal que se encontra, se apaixona, e vê aquilo como destino, como um sendo sempre feito para o outro, que sempre ficarão juntos? Uma relação como algo mágico. Quando na realidade não passa de uma reação química dos nossos corpos, com o objetivo de levar a reprodução. O destino, o eterno, a magia, é a história que as pessoas se contam para se motivarem, para se sobrepujarem sobre o real, se sentirem por fim especiais.   

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Aula 4ª - O que é felicidade?


Hoje vamos falar do principal desejo de todas as pessoas, o que tanto define seus objetivos, quanto define quem elas são: a busca da felicidade. Esse é um dos tópicos mais antigos da filosofia. E nossa aula de hoje, para quem estava sentindo falta de alguns nomes de filósofos sendo jogados a esmo, será toda baseada em Aristóteles. A mais perfeita descrição do que é a felicidade para as pessoas, foi dada por ele 2300 anos atrás em seu livro a Ética. Se você quer entender as bases do comportamento humano, esse é um dos principais livros para se ler. É pequeno, menos de 100 páginas, e pode ser encontrado facilmente tanto para baixar na internet, quanto em sebos, por R$3, R$5. Lá, ele define, senão cria, muitos conceitos como a própria noção de ética, moral, virtude, justiça, trabalho, inteligência e felicidade.

Aristóteles foi um grego, discípulo de Platão, que pode ser mais conhecido por ter sido o mestre do homem que há 2300 anos atrás conquistou metade do mundo conhecido: Alexandre o Grande. Então, quer conquistar metade do mundo conhecido? Leia Aristóteles.

Ética em si significa o conjunto de ações, decisões, que definem a identidade de uma pessoa. Não importa quais as ações de uma pessoa, se ela estabeleceu um código para se comportar em sua vida, ela tem uma ética. E essas ações individuais em si, são o que chamamos de moral. Cada ação sua, cada habito seu, seja da sua escolha ou não, é uma ação moral. Pode ser uma boa ação moral, que contribua para a sua vida, ou pode ser uma má ação, que vá contra ela, ou a outros. Mas o fato de você tomar essa ação, já é tomar uma posição moral. E você ter um guia para tomar essas ações morais, é o que é a ética.

Mas então, o que é a felicidade nisso tudo? Para Aristóteles, ter uma ética que te leve a ter boas ações, que contribuam para você é o que leva a uma vida virtuosa. E uma vida virtuosa é a felicidade. Ou seja, toda vez que você toma decisões, se esforça para tomar ação, de acordo com a sua ética, sua visão de como você deve ser, sua melhor identidade, você é feliz.

Um dos pontos principais em Aristóteles quanto a isso é que a felicidade não é entretenimento, mas sim ação, trabalho, criação, esforço. É você estar constantemente se expandindo nos seus objetivos, nas suas práticas, nas suas decisões, nos seus hábitos. A felicidade em si é progresso. É você estar constantemente se melhorando seja pessoalmente, seja com as pessoas que você ama, nos seus relacionamentos, seja financeiramente, você podendo cada vez mais tomar conta de si mesmo, e abrir um leque de mais ações que antes não era possível, é você contribuir para a sociedade ao seu redor, porque com ela melhorando, também melhora a você.

Se vocês tem alguma felicidade agora, ela provem do progresso. A questão que se apresenta, porém, é o progresso de quem? As pessoas de sucesso na vida, que atingem todos os seus desejos, tem a felicidade com o seu próprio progresso. As pessoas que não mudam em nada, só recebem de cabeça baixa, sem questionar, as ordens, o estilo de vida, de outros, tem essa felicidade no progresso de outras pessoas. É o ficar feliz porque o seu time fez um gol, porque aquele jogador que você acompanha, fez mais dinheiro; porque o personagem da novela superou todos os obstáculos e encontrou o seu grande amor; porque o vocalista daquela banda que você não para de escutar, lançou uma nova música; ... Essa é a principal diferença entre a pessoa livre e o escravo, a livre vive para seu próprio progresso, o escravo vive para o progresso de outro.

Aula 3ª - Quem é você? Identidade.


Quem é você? Como você pode realmente começar a definir quem é você e assim realmente conhecer-se a si mesmo. Primeiro, como você diferencia uma coisa de outra, como você diz isso é isso, e aquilo é aquilo? Isso se dá por contraste, por uma dialética entre os objetos. Você sabe o que é a cor vermelha, porque você sabe que ela não é azul, não é amarela, não é verde. Você sabe que Pedro é Pedro, porque ele não é João. Toda identidade parte de um contraste, de dizer o que algo é, por aquilo que não é. É a relação do eu com o outro. Dialética é a técnica de contrastar as coisas, as idéias, as definições. Onde você une o que é igual, e separa o que é diferente, e tira conclusões disso.

Qual a identidade de uma árvore? Primeiro para a árvore em si essa identidade não existe, porque ela não tem uma consciência, não tem uma capacidade crítica, órgãos que a faça questionar e contrastar os seus arredores. Porém, nós humanos, com nossa consciência, e com nossa habilidade de questionar podemos dar uma identidade a uma árvore. E a damos a partir das diferenças que temos com ela, e as diferenças que tem com outros objetos e seres ao seu redor. Ela não se move como nós, não tem os mesmos órgãos que nós temos, é vegetal em vez de animal, se alimenta do sol e não de outros seres vivos.

Quem é você então nisso? Qual a sua identidade? Sua identidade é composta das suas ações, composta das suas decisões e como lida com elas. Sua identidade só realmente passa a existir quando você toma total responsabilidade por suas ações. Na sociedade atual há uma constante produção de identidades artificiais, que levam as pessoas a confusão, pois elas ditam um número de ações pré-programadas que estão distantes das vidas reais das pessoas. Pensem uma marca de roupa famosa, um Hollister da vida, decide criar a identidade de quem é usuário da camisa. Estabelece que é uma pessoa legal e descontraída. Gasta na publicidade para ter comerciais com pessoas usando a camisa Hollister felizes e descontraídas. Paga emissoras de TV, para colocar nas suas novelas, as pessoas legais e descontraídas usando a camisa. Logo, quem assiste e quer ser legal e descontraído acaba comprando a idéia que uma camisa Hollister é isso, e não como a pessoa age, não suas ações.

Temos atualmente centenas de identidades artificiais na sociedade, seja determinada pelas coisas que você compra, por posições políticas, seja por orientação sexual, seja por cor de pele, seja por gosto musical ou de esportes, seja por onde você nasceu, ou quanto dinheiro tem no banco. E todas elas não passam de outras pessoas ditando como uma pessoa deve ser por alguma característica arbitrária que realmente não tem essa capacidade de ser uma identidade.   

Uma pessoa, um ser humano, só tem um fator que o determina como ele é sem ter a possibilidade de escolha. O fator que somos animais, mamíferos, parte da natureza, e nos comunicamos com nós mesmos e com o mundo ao redor com as ferramentas que evoluímos nos últimos milhões de anos. Nossa visão, nosso tato, nosso olfato, nosso paladar, nossa habilidade de reconhecer formas fora de nós mesmos, nossa habilidade de registrar memórias, e com elas formar distinções. Fora isso, todo o resto não passa de experiências pessoais, tanto de pressões externas, quanto de decisões que você toma ao longo da vida.

Há pessoas que decidem se unir a um partido político, e em vez de só concordar com o que a partir do seu julgamento crítico acredita ser certo, passa a seguir tudo que esse partido determina, sem nada questionar. Ah, eu acredito que devemos ser solidários uns com os outros, mas eles também dizem que devemos negar a nós mesmos para isso, não pensar primeiro nos meus interesses, logo também vou fazer isso, apesar de me importar comigo mesmo. Essa pessoa abandona a si mesma e se prende a uma identidade criada. Vamos ver o movimento negro que é muito popular nos EUA, e nos últimos anos começou a virar moda também em alguns grupos no Brasil. Cientificamente raça não existe. A cor que uma pessoa nasce não pode dizer absolutamente nada sobre ela. No máximo que seus ancestrais nasceram numa região com muita ou pouca exposição ao sol. Não dita comportamentos, não dita que você deva só usar como referência pessoas da mesma cor, ou que deva se importar com a origem das pessoas dessa sua mesma cor e imitá-las. Ou a questão de orientação sexual, que não passa de você gosta do sexo oposto, ou do mesmo sexo. Também não é algo que venha com uma cartilha. Ah, você é gay, logo deve se comportar meio afeminado e ver musicais. Pegue como exemplo um dos protagonistas gays da série Glee, não é um ser humano de verdade, mas uma caricatura preconceituosa. Ter uma característica, e se entregar a toda uma cartilha pré-fabricada de normas ditadas por outras pessoas para como alguém com essa característica deva agir, pode ser considerado uma forma de relaxamento de identidade. Você se mede não por seus desejos, mas como outros dizem que você deve ser.

O seu trabalho é parte da sua identidade? Aí depende, por que você o está fazendo? Porque você quer dinheiro e é isso que você achou, ou é por que é isso que quer fazer realmente com a sua vida? A decisão de fazer algo que não gosta por dinheiro, ou a decisão de só fazer aquilo que você realmente acredita ser você é o que é a identidade.

Seus sentimentos são sua identidade? Ah sou uma pessoa determinada, sou uma pessoa chata, sou uma pessoa doce, ... Sim, porque são decisões, e não características que nasceram com você. Você não é amigável porque você nasceu assim, mas porque em algum momento da sua vida você decidiu que isso era melhor que ser anti-social. Peguem o exemplo de um homem que bebia, batia na mulher, batia nos filhos, roubava, fazia de um inferno a sua vida e de todos ao redor e acabou seus dias na prisão. Ele teve dois filhos, um acabou igual ao pai, bebia, batia na família, roubava, acabou na prisão, o outro, foi para o lado oposto, montou um negócio, fez dinheiro, nunca bebeu uma gota sequer, tratava com todo o amor do mundo a mulher e os filhos, compôs uma vida feliz tanto para si, tanto para os outros ao seu redor. Quando perguntaram para ambos o por quê que achavam que tinha acabado daquela forma, ambos responderam a mesma coisa: Com um pai desse que tive não tinha como acabar de outra forma! Por que essa diferença de vida? Um pegou a experiência de um pai bêbado, ladrão e horrível e se disse: com tudo isso na minha vida, só posso acabar do mesmo jeito; o outro, por sua vez, se disse: depois de todo esse inferno que passei na minha vida, é claro que tenho de fazer diferente, criar todo um mundo de felicidade ao meu redor! Foi a decisão de cada um sobre como interpretar suas infâncias, que determinou seus destinos. Os seres humanos são feitos de decisões.