Pense que toda a realidade ao seu redor, quem você é, a cadeira onde senta, a árvore na janela, o mundo em si, o sol ao redor do qual giramos, o universo, seus sentimentos, tudo é parte da realidade. Mas você conhece toda essa realidade? Não, nem o mais sábio entre os gregos a conhecia, “só sei, que nada sei” disse Sócrates.
Todos nos encontramos dentro dessa realidade infinita e cheia de possibilidades, porém a maioria das pessoas não consegue realmente enxergá-la, estão no meio dessa imensidão, presos em pequenas cúpulas, redomas as quais não podem ver nada fora do vidro, nem podem andar para fora dele. Essa cúpula é seu mapa da realidade, uma mapa igual a um mapa geográfico, que mostra o que a pessoa conhece, até onde pode ver, entender, até onde pode andar, agir. Uma pessoa sem o pensamento crítico pode viver sua vida inteira numa cúpula, fazendo tudo sem nada questionar. Faz o que as outras pessoas ao seu redor estão fazendo, faz o que seus país lhe dizem para fazer, faz o que a televisão, o que as novelas, os comerciais, lhe dizem para fazer. Logo, vive das decisões dos outros, do interesse dos outros, e desconhece o seu próprio, desconhece a possibilidade de alternativas melhores para a sua vida. A diferença entre um milionário e um vendedor de cachorro quente numa barraca de esquina, é que o milionário foi atrás dos seus interesses, fazendo as perguntas necessárias para tal, e buscando com a experiência de outros como chegar lá. Ele não se contentou com a cúpula, e com seus questionamentos quebrou ela, começando a ver possibilidades óbvias, porém só vistas fora da cúpula. Dando cada vez mais passos para fora, para mais possibilidades, para mais responsabilidade sobre a sua própria vida. Um filósofo também não passa disso, de uma pessoa que vive a quebrar essas cúpulas, vive a reescrever seu mapa da realidade com os novos conhecimentos que vai adquirindo através de sua ação.
Pense em Sócrates, quem foi Sócrates, por que ele é considerado um marco divisor na filosofia? Sócrates era um homem comum, um homem que viveu na Grécia, há cerca de uns 2500 anos. Ele tinha que se sustentar como vocês, tinha que viver os desafios do dia-a-dia como todos, mas ele os fez, se dedicando a expandir seu próprio conhecimento, tomando mais responsabilidade sobre si mesmo. Vivia em Atenas, uma parada obrigatória na Grécia antiga, uma cidade importante, cheia de estrangeiros, de comerciantes dos 4 cantos do mundo, de outras pessoas com questões como as dele, como as de qualquer outro ser humano. Sócrates para expandir seu conhecimento, passava os dias, como podemos dizer, “enchendo o saco” das pessoas que encontrava em seu caminho, lhes questionando o que faziam, por que faziam o que faziam. Contrastando o que respondiam, com a experiência de outras pessoas, e as vendo quebrar por si próprias afirmações que consideravam absolutas. Sócrates basicamente entendeu a origem do conhecimento: o próprio homem. Tudo que você pode conhecer sempre terá uma principal referência, você mesmo, é a partir de você que nasce o mundo que vê ao seu redor. O primeiro passo da filosofia é “conheça a si mesmo”, sendo que o segundo é imediatamente ligado a esse “tome conta de si mesmo”.
Veja o filme Homem-Aranha. O tio Ben, tio do protagonista, o Peter Parker, antes de morrer, pela própria negligencia do protagonista em parar um ladrão, lhe diz “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.” Essa afirmação não poderia estar mais errada. Pois é o exato oposto. Com grandes responsabilidades, vêm grandes poderes. Quanto mais responsabilidade você toma sobre a sua vida, mais poder você ganha sobre as suas ações, sobre as coisas ao seu redor. Perguntar, responder, e agir perante essas respostas, é tomar responsabilidade. É ver além do que te disseram para ver, além do que você achava que podia ver. É andar além da cerca que te limitaram, é pular ela, e correr por muitas outras possibilidades, possibilidades que acreditava antes só estarem em seus sonhos. E isso é em si a filosofia, o ato de filosofar, de fazer amizade com a sabedoria.



Nenhum comentário:
Postar um comentário